Foto: Fernando Leite/Arquivo Comurg
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Foto: Rodrigo Obeid/A Redação
Carolina Pessoni
Goiânia - No meio do burburinho da Rua 7, no Centro de Goiânia, um espaço talvez desconhecido de boa parte da população goianiense. Ao lado do Parthenon Center, a Praça Professor Felicíssimo do Espírito Santo acaba de ganhar fôlego novo com a revitalização realizada pela Comurg, que promoveu o calçamento com acessibilidade, iluminação revisada, canteiros renovados, paisagismo, bancos e lixeiras novas.
Mas, entre todos os elementos, um detalhe chama mais atenção do que os outros: a presença silenciosa e simbólica das "Samaritanas", obra que não apenas resiste ao tempo, como também ajuda a contar parte da história afetiva do Centro.
Produzidas em concreto, pintadas em ouro velho e somando dois metros de altura e 300 quilos, as figuras femininas seguram os jarros de onde brota água continuamente. O sistema de irrigação, que estava desativado, também foi recuperado durante a revitalização, devolvendo ao conjunto seu movimento natural.
"Samaritanas" tem sistema de irrigação que mantém água jorrando continuamente (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
O que muitos transeuntes desconhecem é a identidade do artista que moldou essas esculturas. O trabalho é assinado por Onildes Alves dos Santos, jardineiro e gari da Comurg conhecido como Billy. É dele o talento que transforma materiais simples em monumentos que hoje fazem parte da paisagem da capital.
Inauguradas em 2019, as "Samaritanas" nasceram de um processo artesanal: estruturas em ferro, preenchimento com massa, dias de secagem, contornos feitos com instrumentos pontiagudos e uma mistura de cola com água para evitar rachaduras. O acabamento final recebeu cor, brilho e sentido. Tudo isso aconteceu longe do Centro, no ateliê improvisado na casa de Billy, em Goianira. A escolha do tema não é aleatória nem técnica, é íntima. “As mulheres são uma grande inspiração para mim”, afirma o artista.
Onildes Silva, o Billy, é o artista e servidor da Comurg que assina a obra (Foto: Fernando Leite/Arquivo Comurg)
Natural de Paranã, no Tocantins, Billy começou a desenhar aos 10 anos, inspirado por uma professora que admirava. Décadas depois, suas mãos continuam a expressar esse mesmo afeto, agora em forma de esculturas que dialogam com a fé, a memória e o cotidiano da cidade.
Para a Comurg, revitalizar a praça e restaurar o monumento faz parte de um movimento maior de resgate do patrimônio histórico e cultural do Centro. A intervenção mobiliza equipes especializadas nesse tipo de obra e reafirma a importância de olhar com cuidado para espaços que carregam a identidade urbana de Goiânia.
As Samaritanas permanecem ali, entre a o vai e vem da Rua 7, como duas guardiãs da praça. São, ao mesmo tempo, arte pública, gesto de devoção e testemunho silencioso de que o Centro não é feito apenas de prédios, mas das histórias que insistem em permanecer.