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Camila Moreira

Força que transforma

| 26.03.25 - 18:05
 
O empreendedorismo feminino é, cada vez mais, um motor silencioso de transformação social. Em Goiás, mais de 350 mil mulheres empreendem. De acordo com a quinta edição do “Perfil da Empreendedora Goiana”, produzido pelo Sebrae e pelo Laboratório de Pesquisa em Empreendedorismo e Inovação (Lapei/FACE) da Universidade Federal de Goiás, quatro entre dez delas tocam os negócios a partir de casa, conciliando múltiplas jornadas e enfrentando barreiras estruturais, econômicas e culturais. Apesar das adversidades, essas mulheres sustentam famílias, movimentam a economia local e constroem redes de apoio com base na criatividade, na resiliência e na inovação.
 
Ainda assim, há muito que avançar. Apenas 39% do total das empreendedoras goianas têm CNPJ, o que as afasta de direitos e oportunidades como crédito, acesso a mercados e proteção social. Os dados revelam não apenas um cenário de informalidade, mas também a urgência de políticas públicas e iniciativas que promovam a equidade de gênero no ecossistema empresarial.
 
É nesse contexto que o evento “Delas - Mulher de Negócios”, promovido pelo Sebrae Goiás nos dias 28 e 29/03, se torna ainda mais relevante. Mais do que uma celebração do Mês da Mulher, a programação é uma resposta concreta aos desafios enfrentados por quem empreende. Com palestras, consultorias, rodas de conversa e a presença de mulheres líderes e inspiradoras, o evento fortalece o protagonismo feminino e reafirma o papel transformador da mulher nos negócios.
 
Valorizar essas ações é reconhecer que o desenvolvimento econômico não pode mais ser medido apenas por indicadores financeiros. É preciso olhar para quem sustenta a base produtiva com pouco apoio institucional. As mulheres empreendedoras de Goiás mostram todos os dias que, mesmo com menos, fazem mais. Mas não deveriam fazer sozinhas. É papel das instituições garantir que o talento feminino encontre respaldo em políticas públicas consistentes e sensíveis às suas realidades.
 
Iniciativas como essa criam espaço para o pertencimento e para o crescimento. Elas conectam mulheres que muitas vezes iniciam seus empreendimentos por necessidade, mas que, com apoio e qualificação, constroem trajetórias de sucesso e impacto social. É sobre dar visibilidade às histórias que são, muitas vezes, invisíveis, mas que sustentam a base do empreendedorismo local.
 
Promover a equidade não é apenas uma questão de justiça social, mas de inteligência econômica. Quanto mais as mulheres forem incluídas, apoiadas e reconhecidas como protagonistas do desenvolvimento, mais forte será o tecido produtivo da sociedade. É preciso ampliar o alcance de programas como o Sebrae Delas, que oferece não só ferramentas, mas também voz e vez a quem necessita de suporte.
 
Valorizar o empreendedorismo por mulheres é reconhecer que o futuro passa pelas mãos delas e que seus negócios são, na verdade, os nossos negócios — como sociedade, como economia, como projeto de país. É hora de garantir oportunidades iguais para quem já provou que tem força para transformar o mundo.

Camila Moreira é gerente de atendimento e desenvolvimento regional do Sebrae Goiás
 

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