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Tatiana Potrich
Tatiana Potrich

Tatiana Potrich é curadora, produtora de arte, escritora e designer. Formada em Design de Moda pela UFG, possui pós-graduação em Arte Contemporânea e História do Brasil, também pela UFG, e em Filosofia da Arte pela UEG. / jornalistas@aredacao.com.br

Curadoria Afetiva

A beleza monocromática da vida

| 30.03.25 - 08:40 A beleza monocromática da vida Pau de sebo, Pará, 2017 (Foto: reprodução)
Ano passado, meu filho, acidentalmente, deixou o portão da garagem aberto às 6 horas da manhã, e nossa cadela, Bela, fugiu. Quem já passou por isso sabe o quanto é angustiante viver no suspense e na incerteza sobre o paradeiro de um querido animal de estimação.
 
Por força divina ou pela sincronicidade, como explicaria a física-quântica, milagrosamente encontrei uma pessoa que adicionou os dados da Bela ao grupo de pets, quando finalmente consegui resgatá-la no final da mesma manhã.
 
Assim, uma rede de apoio se formou e, como um pelotão de busca, o reencontro com Bela foi celebrado como um troféu coletivo, mesmo que virtualmente.
 
Esse efeito contagiante de compaixão e cooperação se repetiu no episódio da trágica enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em abril de 2024. Muitas pessoas se mobilizaram para ajudar as famílias que perderam tudo ou quase tudo. Em janeiro de 2025, o incêndio em Los Angeles teve repercussão mundial, e, mais uma vez, inúmeras pessoas se comoveram e se uniram para auxiliar as vítimas.
 
Um fenômeno não tão similar, mas igualmente comovente, tem sido a repercussão da série Adolescência, que viralizou e vem chamando a atenção de profissionais de diversas áreas.
 
Um sentimento de angústia, compaixão e empatia aos acontecimentos que nos fogem ao controle, o domínio e até mesmo, o entendimento. Nesse sentido criamos um elo entre o nosso sentimento humanista para começarmos a pensar, coletivamente, soluções que todos possam interagir. Mesmo num cenário caótico, monocromático e profundamente triste, há algo intenso e genuíno que nos conecta.
 
A busca pelo ideal de perfeição, medo da rejeição e o ódio que se transforma em violência brutal, segue à risca o protocolo do conjunto de estratégias prontas para manter sob controle uma sociedade massificada e emburrecida. No entanto, ainda há humanidade dentro de nós.
 
Se somos capazes de nos sensibilizar com episódios de uma série tão perturbadora, baseada em fatos reais, somos capazes de agir em coletividade para procurar soluções cabíveis, coerentes e eficazes para as situações que nos são impostas.
 
Uma ideia criativa e eficiente está sendo adotada na Suíça: a “receita de museu”. Indicada aos pacientes para incentivá-los a visitar exposições de arte, museus, parques e jardins, essa "medicação" é uma forma de abstrair a mente e exercitar o corpo. Trata-se de uma alternativa atraente, especialmente para desenvolver o senso crítico das crianças e adolescentes, tão expostos aos conteúdos tóxicos das redes sociais.
 
Abraçando essa proposta, embora não possa emitir uma receita médica, sugiro uma “receita cultural”: a mostra Dentro, da fotógrafa Adriana Bittar, que acaba de ser inaugurada em Anápolis. A mostra faz um mergulho dentro do olhar da artista, que registra a biodiversidade e a regionalidade brasileira numa ótica afetiva e monocromática.
 
Afinal, é preciso também enxergar a beleza da vida, quando há a ausência de cores.
 
"Pau de sebo", fotografia, Pará, 2017, capa do livro Dentro, por Adriana Bittar


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Tatiana Potrich é curadora, produtora de arte, escritora e designer. Formada em Design de Moda pela UFG, possui pós-graduação em Arte Contemporânea e História do Brasil, também pela UFG, e em Filosofia da Arte pela UEG. / jornalistas@aredacao.com.br

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